A redução de estômago por endoscopia não pode ser comparada à uma cirurgia bariátrica

Amplamente veiculada na mídia a tal GASTROPLASTIA ENDOSCÓPICA, que se propõe a reduzir o estômago, não pode e nem deve ser comparada com qualquer cirurgia bariátrica, especialmente com a gastrectomia vertical (SLEEVE), seja nos resultados, seja nos riscos, seja na escolha do paciente, seja no propósito dela ou seja no método executado.

 

Não pode ser ofertada como algo que venha substituir o método cirúrgico, muito mais radical e eficaz na redução do que jamais a gastroplastia endoscópica poderá ser. A técnica que chega ao Brasil não é uma cirurgia bariátrica por endoscopia, termo que deve ser evitado por qualquer médico endoscopista, ainda que também seja um cirurgião bariátrico que tenha dupla especialidade.

 

A gastroplastia endoscópica há que ser melhor chamada de sutura endoscópica, que de fato é o que é, e não se comparar à uma cirurgia restritiva como a gastrectomia vertical. Uma sutura endoscópica terá várias aplicações na especialidade da endoscopia, inclusive reduzir o volume gástrico através da aproximação de suas paredes, o que é bem diferente do propósito da cirurgia, que realmente remove o estômago de forma controlada pelo cirurgião e que altera definitivamente toda a fisiologia gástrica.

 

Como método endoscópico deve antes se recolher à essa significância: a um método endoscópico. Sendo assim, talvez teria uma comparação muito melhor a outro método endoscópico, como o balão intragástrico, onde os resultados e riscos são muito mais similares do que aqueles que a cirurgia oferece.

 

Embora os colegas médicos que estão desenvolvendo essa técnica têm feito esforços, quando dão entrevistas jornalísticas, em não comparar a técnica à uma cirurgia, é inevitável a comparação por aqueles jornalistas com a cirurgia bariátrica e a divulgam de uma forma equivocada.

 

Mas, acredito que logo a técnica se sedimente entre endoscopistas e cirurgiões bariátricos como algo que realmente é: apenas mais uma arma, entre o balão e a cirurgia, na luta contra a obesidade, não concorrendo nem com aquele e nem com aquela técnica.

 

A obesidade é uma doença complexa, crônica, incurável, progressiva, fatal e com custo biopsicossocial importante. Lembramos que apenas 2% da população dos obesos conseguem realizar a cirurgia bariátrica. Então existe muita gente a ser ajudada, com todos os métodos disponíveis no mercado, não somente com a gastroplastia endoscópica.

Créditos: Balão BIB

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